Aconteceu ontem, 21 de julho, o primeiro dia da semana de lives “O futuro é flexível”, organizada pelo BeerOrCoffee e com convidados de peso. Nesse primeiro webinar o tema escolhido foi: “As empresas vão adotar o anywhere office?”. Roberta Vasconcellos, CEO e cofundadora do BeerOrCoffee, recebeu executivos de grandes empresas para responder a essa pergunta.
Os convidados foram: Guilherme Sant’Anna, diretor de gente e gestão (CHRO) da XP Inc., grupo que hoje é responsável pelas marcas XP Investimentos, Rico, InfoMoney, Clear, Spiti e Leadr; Francine Graci, que está à frente da área de career experience (experiência de carreira) do Twitter há sete anos; e Simone Grossmann, vice-presidente de recursos humanos da The Coca-Cola Company no Brasil.
Confira neste texto os principais pensamentos, dicas e conclusões dos participantes sobre o futuro do trabalho e o escritório em qualquer lugar!
O que é o anywhere office para vocês?
Nos últimos meses temos abordado muito o assunto “flexibilidade no trabalho”. E embora neste momento a maioria das pessoas ainda esteja trabalhando em casa, sabemos que essa não é a única maneira de trabalhar remotamente.
E foi o que disse Guilherme quando questionado sobre o anywhere office. “A gente até se policiou um pouco recentemente para não falar home office pelos planos que temos feito de ter escritórios descentralizados no Brasil e mundo afora, mas muito mais caracterizar como trabalho remoto”, disse o executivo que ainda completou: “muito em breve as pessoas vão poder escolher trabalhar em uma cafeteria, se juntar na casa de alguém, usar algum coworking ou ir para algum escritório nosso, a ideia é que a gente dê essa opção e essa flexibilidade”.

Simone concordou e disse que temos que nos preparar para mudanças, porque quando voltarmos ao escritório ele não será como antes. “Não sei se existe voltar para o escritório. É voltar para um futuro, porque o escritório não vai ser como ele era antes. Não é uma volta para algo que a gente conhecia, é uma volta para o futuro de fato”.
Já Francine pontuou que quebrar barreiras geográficas é algo necessário para oferecer diversidade dentro das empresas. “O Twitter tem uma preocupação muito grande com diversidade. E a gente começou a pensar formas possíveis que as pessoas pudessem trabalhar em qualquer lugar. E isso tem a ver com quebrar barreiras geográficas para que as pessoas possam trabalhar em empresas como a nossa. E não existe outra forma de praticar uma diversidade de cultura, pensamento, sem quebrar essa barreira”.
Como serão os formatos e políticas de trabalho do futuro
A adoção do formato de anywhere office traz uma série de benefícios para as empresas e seus colaboradores. Mas é verdade que precisamos fazer algumas adaptações dentro das organizações quando passamos a trabalhar dessa forma. Seja adotando novos processos, políticas e cultura ou adequando-nos às exigências legais.
O CHRO da XP Inc. acredita que o ponto principal para se adaptar é entendendo o que as pessoas querem e precisam. Como, por exemplo, ajuda para criar uma boa infraestrutura de home office. Assim, a XP realizou pesquisas e chegou à conclusão das ações que precisava tomar. “À medida que fomos atendendo isso, tanto regionalmente quanto globalmente, as pessoas foram se acostumando. E batemos o recorde de eNPS [employee net promoter score, que mede o nível de satisfação do colaborador]”.
Já Simone comentou que a capacidade de adaptação das pessoas foi muito grande, o que a deixou impressionada. E acrescentou que isso foi importante para que a Coca-Cola pudesse tomar decisões de maneira muito rápida, com a urgência que o momento exigia. “A grande pergunta que a gente tem que se fazer é: como vai ser o escritório depois? Temos que garantir o distanciamento primeiramente, mas entender qual será a função do escritório”.
Enquanto isso, Francine destacou a importância de desenvolver ferramentas e políticas que irão amparar o trabalho remoto. “São coisas até super simples, como dividir um calendário de melhor horário de trabalho. Porque você tem outras interferências no seu trabalho. Quando todo mundo está em uma sala, ok, é mais fácil. E quando está só no virtual, também é ok. Mas e quando está metade virtual e metade presencial?”.
Quais os benefícios e desafios encontrados no trabalho remoto
Guilherme citou como um dos principais benefícios do anywhere office a possibilidade de contratar talentos em qualquer lugar do mundo. “Pelo lado de recrutamento acho que pra gente foi muito positivo, porque nossos clientes estão descentralizados. A gente conseguiu democratizar e expor nossa missão que é de ser uma empresa disruptiva no mercado financeiro. E podemos ter um time mais diverso, backgrounds diferentes, contribuindo pra trazer diferentes perspectivas dentro da empresa. Foi um desafio grande ajustar pro digital no início, mas tivemos bons resultados a partir disso”.
Enquanto isso a executiva do Twitter mostrou que é um momento em que se faz necessário prestar ainda mais atenção à saúde e bem-estar das pessoas: “nossa grande preocupação é fazer com que as pessoas possam continuar com o índice de produtividade bom mas com um novo conceito de trabalhar. E para que a gente possa medir essa produtividade os benefícios são basicamente relacionados ao bem-estar”.
Já Simone, quando questionada se houve resistência dos funcionários da Coca-Cola, destacou novamente a necessidade de ouvir as pessoas e se adaptar. “Eu não diria que existe resistência, mas existe adaptação. Fizemos pesquisas para coletar informações sobre como as pessoas estavam. Em uma dessas pesquisas a gente perguntou ‘o que tem sido desafiador para você nesse período?’. E as três coisas que as pessoas falaram como desafios também foram citadas como benefícios por outras: manutenção do foco, flexibilidade de agenda e acesso a pessoas. Então as experiências foram muito diferentes, é individual”.
Sobre as adaptações internas
Falando sobre os cuidados com a legislação e adaptações dos processos internos, Guilherme disse que o Brasil vem avançando nesse sentido. Mas também comentou que mais importante do que se preocupar com as leis é ir além delas. “Precisamos garantir que a gente faça as pausas corretas, que tenha um controle de jornada saudável e bons exemplos da liderança. Isso tem que estar além dos modelos formais de contrato”.
Francine finalizou ressaltando que ter empatia é imprescindível. “É muito importante criar um espaço para que as conversas pessoais aconteçam além de conversas sobre o trabalho, porque se a gente não criar um ambiente descontraído no formato remoto, isso vai gerar uma desconexão do indivíduo e as pessoas se tornam números, analisando entregas, produtividade e resultados apenas. É essencial ter essa abertura das lideranças para interagir além do trabalho, mais uma vez: sensibilidade e empatia”.
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