Entenda o que é o trabalho distribuído, como ele funciona na prática e quais as principais diferenças entre o modelo híbrido, remoto e o home office.
O futuro do trabalho já chegou. E, com ele, uma série de termos diferentes. Alguns deles já eram velhos conhecidos para a grande maioria das pessoas, como o home office. Outros, nem tanto — como a economia de baixo contato e o trabalho remoto. Dentre esses, outro conceito muito abordado nos últimos tempos é sobre o que é o trabalho distribuído e como ele se difere do trabalho remoto.
O conceito de trabalho remoto ou teletrabalho não é novo. No final dos anos 80 e 90, quando as pessoas começaram a possuir computadores pessoais e a ter acesso à internet em casa, o modelo tornou-se uma alternativa viável ao escritório. E, mais ainda, nos anos 2000 com o surgimento dos coworkings, que oferecem estruturas completas e flexíveis que possibilitam trabalhar de qualquer lugar.
Contudo, com a necessidade do isolamento social, empresas que antes não consideravam essa possibilidade passaram a perceber as vantagens dos modelos flexíveis. Grandes nomes como a XP Investimentos, por exemplo, já anunciaram mudanças permanentes na forma de trabalhar e isso gera impactos em todo o mercado.
Neste texto falaremos sobre o que é o trabalho distribuído, como ele se encaixa no modelo híbrido de atuação e quais são suas vantagens. Apontaremos, também, as principais diferenças entre o trabalho remoto, distribuído e, ainda, home office. Se você quer entender melhor, continue lendo!
O que é trabalho distribuído
Como o próprio nome já indica, o trabalho distribuído consiste em um modelo repartido, espalhado. Isso significa que dentro de uma grande empresa, com muitas equipes e colaboradores, cada time (ou até profissional) pode estar em um lugar diferente.
Ou seja, algumas pessoas estarão na sede do escritório, enquanto outras trabalharão nos coworkings e escritórios flexíveis, e, ainda, certos funcionários escolherão trabalhar em casa em determinados dias.
“Trabalho distribuído refere-se a empresas que possuem um ou mais funcionários que trabalham em diferentes locais físicos. Esse modelo de trabalho misto pode incluir equipes no local, em um ou mais locais de escritório, bem como funcionários remotos que trabalham em casa, em espaços de coworking, em espaços públicos ou até viajando”, aponta um artigo publicado pela Lifesize.
Nesse modelo os trabalhadores precisam manter a confiança em seus empregadores sem a constância do escritório físico e a proximidade dos colegas de equipe, mas também têm que demonstrar que são dignos de confiança: é uma via de mão dupla.
Diferenças entre trabalho distribuído, trabalho remoto e home office
Os funcionários que trabalham em um escritório em casa são apenas uma parte de uma equipe distribuída geograficamente. Dessa forma, o home office pode fazer parte do trabalho distribuído, mas o trabalho distribuído não se resume ao home office. Afinal, como já dissemos, existem várias possibilidades dentro do modelo.
Ainda nessa linha, o conceito de trabalho remoto não é tão abrangente quanto o distribuído. Na teoria, trabalhar remotamente possibilita trabalhar de qualquer lugar. Mas quando falamos sobre o que é trabalho distribuído estamos nos referindo a um conceito mais abrangente. Como mostra o artigo da Lifesize, quando uma empresa trabalha de forma distribuída ela reúne as seguintes características:
- Possui mais de um escritório: na mesma cidade, em vários estados ou até países;
- Alguns colaboradores trabalham em casa: os funcionários têm a liberdade de escolher o home office nos dias que considerarem necessário ou conveniente;
- Colaboradores trabalham em coworkings: os escritórios compartilhados (ou flexíveis) são amplamente utilizados para garantir uma infraestrutura de ponta sem perder a flexibilidade e compartilhamento;
- Profissionais que trabalham viajando: pode ser no antigo modelo de “vendedor viajante”, representante da marca ou, ainda, o novo anywhere office.
Vantagens do trabalho distribuído
As empresas que permitem que seus funcionários decidam onde e quando realizar suas atividades — seja em outra cidade ou fora do horário comercial — aumentam a produtividade dos funcionários, reduzem a rotatividade e diminuem os custos organizacionais.
O “anywhere office” possibilita que cada equipe dentro de uma empresa encontre o ambiente que mais se adapta ao seu perfil e necessidades. E o modelo pode acontecer de algumas formas diferentes, dependendo da área de atuação do negócio em questão.
Não é difícil, também, comprovar a redução de gastos. Quando você tem uma equipe com diversos funcionários dentro de um escritório tradicional, precisa pagar aluguel, água, energia, IPTU e uma série de outras contas fixas. Isso sem considerar os custos variáveis com manutenção da estrutura. Em empresas com times distribuídos os gastos e as operações do dia a dia são otimizados.

Além disso, uma pesquisa realizada pela Flex Jobs apontou algo que muitos podem não imaginar: a flexibilidade no trabalho melhora significativamente a saúde e os relacionamentos pessoais — e o trabalho remoto afeta a vida pessoal dos funcionários de forma direta.
De acordo com a Business Insider, que também publicou um artigo sobre o tema, o estudo, que foi feito com 3.900 pessoas, constatou que 64% dos trabalhadores acham que “poder trabalhar em casa melhoraria sua vida sexual e beneficiaria seu relacionamento romântico”. Além disso, 80% dos entrevistados disseram que ter um emprego flexível os ajudaria a estar mais atentos ao seu parceiro. Outros 84% disseram que ter um emprego flexível os ajudaria a gerenciar melhor sua saúde mental.
Empresas que estão adotando o modelo
O Twitter foi uma das primeiras empresas a anunciar que, mesmo após o retorno aos escritórios, os colaboradores poderão escolher continuar trabalhando remotamente. O anúncio foi feito pelo CEO da rede social, Jack Dorsey, em um email enviado para todos os funcionários.
“Se nossos funcionários estiverem em uma função e situação que lhes permite trabalhar em casa e quiserem continuar a fazê-lo para sempre, faremos isso acontecer. Caso contrário, nossos escritórios serão calorosos e acolhedores, com algumas precauções adicionais quando acharmos que é seguro retornar”, disse Jennifer Christie, vice-presidente de pessoas do Twitter.
No Brasil, a XP Investimentos anunciou, primeiramente, que adotaria o home office até dezembro. Mais recentemente, o CEO e fundador da XP Inc, Guilherme Benchimol, divulgou um livro-manifesto no qual fala que vai liberar o trabalho remoto de forma permanente e pretende construir uma nova sede fora da capital paulista, dentro de um conceito de arquitetura sustentável.
Em um trecho do livro Benchimol diz que “trabalhar a partir de qualquer lugar é ressignificar como priorizamos o nosso tempo. Seria um desperdício não transformar essa experiência vivida desde o início deste ano de 2020 em uma nova maneira de encarar a vida corporativa”.
E você? O que pensa sobre o trabalho remoto? Se gostou de saber mais sobre o que é trabalho distribuído, confira este artigo em que nossa CEO, Roberta Vasconcellos, fala sobre o futuro do trabalho e compartilha sua visão sobre os aprendizados do momento.
Mariana Mendes é jornalista do BeerOrCoffee e apaixonada por escrever sobre marketing e futuro do trabalho.
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